UNIFAE REVELA CRISE NA SANTA CASA E APONTA MEDIDAS URGENTES

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A UNIFAE apresentou nesta quinta, (19), aos parceiros do Convênio de Gestão da Santa Casa, Prefeitura Municipal e Mesa Diretora da Irmandade, o diagnóstico administrativo e financeiro dos três meses que a instituição está à frente do hospital.

O balanço que revelou diversos problemas nos processos de controle administrativo, também apontou um déficit mensal médio superior a R$ 1 milhão de reais. Números que projetam mais de R$ 12 milhões de reais de déficit para 2018.

Dados do Diagnóstico Financeiro
Déficit de janeiro R$ 819.841,19
Déficit de fevereiro R$ 1.129,957,56
*Déficit de março R$ 1.073.019,73
Total de três meses R$ 3.022.818,39
Média do déficit mensal R$ 1.007.606,13
Previsão anual do déficit R$ 12.091.273,56

 

Entre os dados apurados, o diagnóstico aponta que a população de São João é a maior usuária do SUS, Sistema único de Saúde nos procedimentos de média e alta complexidade e que o repasse de verbas da Prefeitura não é suficiente para cobrir as despesas.

No aspecto da regionalização, o balanço mostra ainda que 8.787 pessoas vindas de mais de vinte cidades da região foram atendidas nestes três meses. Com exceção de Aguai, os outros municípios devem hoje mais de R$ 1. 600 mil reais para a Santa Casa.

Nesta etapa do diagnóstico, foram sistematizados apenas os dados referentes ao SUS. Os dados sobre os Planos de Saúde estão sendo finalizados, mas indicam a necessidade de análise e discussão com os gestores dos planos.

Medidas urgentes

Diante do diagnóstico e da necessidade, urgente, de estabelecer um fluxo de caixa e um equilíbrio entre as receitas e despesas, UNIFAE, Prefeitura e Mesa Diretora decidiram, em conjunto:

  • Revisar todos os contratos de serviços terceirizados. Os prestadores devem procurar a Direção do Hospital no prazo de 15 dias
  • Análise e discussão com os Planos de Saúde
  • Venda da parte que cabe ao hospital da Fazenda Lagoa Formosa
  • Cobrança do repasse dos municípios que integram a Regionalização.
  • Estudo de cortes e outras ações administrativas
  • Capacitação e treinamento dos colaboradores
  • Transformação em Hospital Escola

Entre outras ações, UNIFAE e Prefeitura, por meio do Departamento de Saúde, vão discutir alterações no Plano Operativo de 2019, que define os repasses da Administração para a Santa Casa. Os valores deste ano, já estão comprometidos no limite legal, segundo a Prefeitura.

Até o momento, a UNIFAE já repassou para a Santa Casa, mais de R$ 2 milhões como mostra a tabela abaixo.

Demonstrativo de Repasse UNIFAE 2018 – Santa Casa
Item UNIFAE Já repassado
Plano Operativo 1 R$ 1.600.000,00 R$ 1.600.000,00
Plano Operativo 2 R$ 2.400.000,00
Reforma UTI e CC R$ 2.000.000,00
Repasse do IR – 1 R$ 1.100.000,00 R$ 400.000,00
Repasse do IR – 2 R$ 2.800.000,00 R$ 550.000,00
Total R$ 9.900.000,00 R$ 2.550.000,00

 

Prestação de contas completa no site da Unifae.

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Santa Casa de Mococa saiu da crise com planejamento e gestão

A crise na Santa Casa de São João da Boa Vista é, sem dúvida, um dos temas que mais preocupa a cidade neste momento. São milhões em dívidas, problemas de relacionamento, estrutura sucateada, entre outros fatores.

Em situação semelhante encontrava-se a Santa Casa de Mococa, no ano de 2003. O hospital estava com dívida altíssima e tudo indicava que ele ia fechar as portas.

Contudo, algumas pessoas da Irmandade, diante do que significaria o fechamento da Santa Casa para Mococa, uniram forças, montaram uma chapa e assumiram a gestão do hospital. Para provedoria, o grupo escolheu Maria Edna Gomes Maziero, que até então era uma voluntária e colaborava na realização de campanhas para ajudar a Santa Casa.

A reportagem do O MUNICIPIO esteve com a ex-provedora na tarde de segunda-feira (9), na cidade de Mococa. Em uma conversa de cerca de uma hora, em sua casa, Maria Edna contou detalhes da passagem dela pelo hospital e as principais ações que permitiram sanar as contas da Santa Casa e torná-la uma referência.

 A PROVEDORIA

Maria Edna conta que, por ser esposa de médico, sempre se envolveu com ações voluntárias na Santa Casa da cidade. Até então, ela era apenas um membro da Irmandade que atuava voluntariamente em benefício do hospital.

“Eu sou professora, bióloga de formação. Mas, paralelamente a isso, sempre trabalhei com o terceiro setor. Desde que cheguei a Mococa, há 42 anos, eu fui buscar, como esposa de médico, prestar minha solidariedade ao hospital. Então a gente fazia campanhas”, lembrou.

Mas, em 1995, ela e outras seis mulheres criam o Grupo Solidariedade, que surge exatamente devido a preocupação com a dificuldade enorme por que passava a Santa Casa. O grupo, porém, atuava apenas fazendo reformas no local, nunca oferecendo dinheiro.

E é exatamente neste momento que elas perceberam que estas ações não bastavam e que o problema no hospital era de gestão.

Maria Edna lembra que, em 2003, a Santa Casa de Mococa estava em uma crise profunda e cogitava o fechamento. Para se ter uma deia, a Santa Casa não tinha nenhum contrato do SUS assinado porque possuía a CND (Certidão Negativa de Débitos). Além da dívida, os equipamentos estavam sucateados. A UTI estava sendo fechada, pois devia para médicos. Havia problemas de improbidade administrativa por falta de pagamentos de impostos trabalhistas. Nem medicamentos para realização de cirurgias havia naquele período.

Então, ela aceita o convite de um grupo da Irmandade do hospital para possivelmente montar uma chapa para assumir o comando da entidade. “Eu fiquei muito revoltada e indignada com a situação de fechar as portas da Santa Casa e entregar para a Prefeitura. Daí fui brigar por ela”, contou.

É assim que se torna provedora da Santa Casa de Mococa, sendo escolhida pelo grupo que assumiu o desafio de salvar a entidade. E os seus trabalhos começaram no início de 2004.

O INÍCIO

A ex-provedora, que até então tinha apenas uma formação em biologia, buscou capacitação para agir na área da saúde. Até por sua atuação forte na área social, fez cursos de administração no terceiro setor, de cooperativismo, de capitação de recursos e uma pós-gradução em administração com enfoque em saúde.

Quinze dias depois de assumir o cargo, ela deixou de dar aulas para se dedicar exclusivamente a nova missão. “Eu era professora, mas parei porque o buraco era muito mais embaixo do que eu imaginava”, assumiu.

Maria Edna diz que o que faltava na Santa Casa era gestão e um grupo participativo e de qualidade para discutir o hospital. “E ao mesmo tempo precisava de recursos. Na época, eu abri mão da pessoa que era o administrador, pois achei que se estava naquela situação tendo um administrador, eu poderia abrir mão dele. Eu disse que eu administraria voluntariamente e acumularia com o cargo de provedora, durante até seis meses. Ai acabei ficando, ficando”, recordou.

 O SLOGAM

Com o slogam “O que pode para mim, pode para você, pode para qualquer um”, Maria Edna consegue implantar uma nova cultura dentro do hospital. “A gente começou a não diferenciar as pessoas. Aquele jeitinho de ‘meu amigo pode’, o convênio é de quarto coletivo, mas vou por no quarto individual, foi acabando. Porque isso é prejuízo. Então a gente acabou com esses benefícios. O que podia para um, podia para todos”.

 

PLANO DIRETOR, PARCERIAS E REGIONALIZAÇÃO SALVAM O HOSPITAL

Maria Edna conta que, em busca de salvar o hospital, inúmeras parcerias foram realizadas. Além disso, a regionalização dos serviços e a elaboração de um plano diretor para a Santa Casa foram fundamentais, segundo ela, para o sucesso do projeto.

Uma das primeiras ações feitas pela ex-provedora foi fazer a revisão do plano de saúde, que estava deficitário. “Fui buscar ajuda de pessoas, que fizeram auditoria junto comigo. A gente procurou equilibrar o preço. Assim, o plano que era deficitário passou a dar lucro”, lembrou.

A regionalização dos serviços também foi outra ação que Maria Edna considerou fundamental para a salvação do hospital. “Fomos planejar o que daria para Mococa oferecer de serviços. Porque se a gente não oferecer serviços, a gente não consegue verba. A regionalização foi um grande ganho para Mococa. A gente tanto ofereceu serviço na UTI como depois em clínica e ortopedia. Nos ajudou muito. Quem trabalha sozinho é difícil”, garantiu.

Mas, o grande salto da gestão dele acontece quando decide elaborar um plano diretor da Santa Casa. “A gente fez um plano para 20 anos e em 8 anos terminamos ele. Eu costumava dizer que a mudança da Santa Casa seria de dentro para fora e assim a gente fez”.

Maria Edna lembra que implantou protocolos para tudo. “As pessoas não tinham nem requisição para pegar as coisas. Então a gente implantou protocolo para tudo. Falavam que eu era rígida, porque nada saia sem protocolo. Para ir buscar uma caneta no almoxarifado tinha que levar a caneta que acabou. Não se sabia quanto se utilizava de medicamentos de uso geral. Assim, para buscar uma pomada tinha que levar o tubinho vazio. E nós conseguimos”.

Como meta do plano diretor, que foi elaborado por voluntários aos sábados, todos os contratos foram revistos e as dívidas com fornecedores renegociadas. “O que a gente conseguiu foi a credibilidade e não misturávamos política. Eu sempre fui política, mas não partidária. O dia que eu resolvi ser partidária eu deixei a Santa Casa. Eu nunca misturei”.

 OS MÉDICOS

Antes de Maria Edna chegar, os médicos não podiam participar da Irmandade, o que foi alterado. Hoje, um médico, inclusive, é o provedor da Santa Casa. “Ou a gente trabalha com os médicos ou o hospital não vai para frente. O lugar que não tem união não vai para frente”.

A ex-provedora não esconde que no começo teve dificuldade com alguns médicos, que quiseram até enfrentá-la. “Um me disse assim: aqui no centro cirúrgico quem manda sou eu. E eu enfrentei e disse que então ele ia pagar o instrumental que tinha jogado no chão. Teve um fato que eu precisei, inclusive, mandar a nota fiscal. Era a ‘casa da mãe joana’, cada um fazia o que queria” relembrou.

Mas, hoje, ela se diz muito grata aos médicos e garante que eles abraçaram a causa quando perceberam que era sério o trabalho. “Eles passaram a ir em busca de recursos comigo. Se não tiver essa união não vai para frente. Não adianta brigar com médico”, deu a dica.

E uma das maneiras que permitiu a aproximação da direção do hospital com a classe médica foi a elaboração de protocolos e regimentos junto com os profissionais. “Se o médico não respeitar os protocolos, é prejuízo para o hospital. Então fizemos a revisão em conjunto e deu muito certo”.

 QUALIDADE

A qualidade dos serviços também era outra questão presente no plano diretor e que foi seguida a risca pela ex-provedora. “Tínhamos poucos enfermeiros e muitos auxiliares. Fui buscar cursos para quem era auxiliar tornar-se técnico em enfermagem. Fomos buscar qualificação para eles. Não ficamos atentos só na parte física, monetária ou tecnológica. A gente buscou também a qualidade. A gente montou um grupo chamado Grupo da Qualidade, formado por 22 funcionários do hospital, de todos os setores”.

Maria Edna, aos poucos, foi treinando as pessoas para conseguir implantar tudo o que desejava. “Em cada setor o profissional responsável tinha que fazer um curso e depois passar para os colegas as mudanças apresentadas. Era uma forma de divulgar o que estava acontecendo. Quem não caminhava nessa direção, nesse novo momento, ficava”.

 

‘ELA É FILANTRÓPICA, MAS NÃO É DE CARIDADE’

Após ter permanecido de 2004 a 2012 como provedora daquele hospital, Maria Edna consegue tirar algumas conclusões dessa experiência.

Uma delas é que é preciso agir com rigidez. “Falaram que eu era muito rígida e eu era mesmo. Santa Casa, a gente piscou o cachimbo cai. Eu tinha que ser rígida para a sobrevivência da entidade. Concessões eu não fazia. Só que também eu nunca mais atrasei salário de funcionários, nunca mais faltou medicamentos”.

E a mais importante é que sem gestão não é possível administrar uma Santa Casa. “Dinheiro é bem-vindo, as Santas Casas precisam sim, pois o SUS não se paga. Mas, ela precisa de gestão. A Santa Casa não pode fazer de graça. A pessoa tem que ser rigorosa. Se ela não tem alta complexidade em ortopedia, por exemplo, ela não pode fazer, pois fica muito caro para o hospital. E quem paga essa conta? Ou a Prefeitura paga se for SUS ou não faz”, detalhou.

Para Maria Edna, o grande erro cometido por muitos gestores é não tratar a Santa Casa como empresa. “Tem que saber o que é vantajoso e o que não é para ela. A Santa Casa não visa lucro, porém ela não pode ficar no vermelho. Ela é filantrópica, mas não é de caridade. Ela tem que impor os protocolos dela”, afirmou.

Maria Edna deixou a provedoria do hospital em 2012 com mais de R$ 1 milhão em caixa, com todos os equipamentos novos, todo reformado por dentro e por fora, com novas tecnologias, prontuário eletrônico do paciente e tudo com protocolo. “A gente fez muito mais do que imaginávamos”, comemorou.

E este trabalho desenvolvido no hospital fez, inclusive, que ela fosse eleita prefeita de Mococa, administrando a cidade de 2013 a 2016.

Questionada se estaria disposta a ajudar as Santas Casas da região, ela diz que sim. “Tenho isso em mente, de ajudar a região. Eu estudei, me capacitei e gosto. Não basta gostar, tem que saber o que faz. Mas, volto a dizer, milagre ninguém faz, se não tiver união não adianta”, considerou.

Fonte: O Município

Alto índice de larvas do Aedes aegypti deixa Santa Rita do Passa Quatro em alerta

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Santa Rita do Passa Quatro (SP) está em alerta por conta do surto de larvas do mosquito Aedes aegypti. Um levantamento feito pela Vigilância Epidemiológica mostrou que de cada dez casas visitadas na cidade, mais da metade apresentaram os vermes.

O Índice de Breteau, que mede a quantidade de larvas encontradas nas casas, é o maior entre as cidades da região com 5,8. Porto Ferreira (SP) está em segundo com 2,9, Rio Claro (SP) é o terceiro com 2, e em Matão (SP) o número é 1,6.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os índices de 1 até 3,9 são considerados como situação de alerta e os superiores a 4 são tidos como risco de surto.

Risco

O coordenador de controle de vetores Rodrigo Naca, disse que agentes de saúde estão realizando vistorias em busca de possíveis criadouros e pontos de focos das larvas.

“Pode significar uma epidemia, pois o número é muito alto. Estamos preocupados e faremos um trabalho especifico nessas áreas, casa a casa, e também mutirões todos os meses”, disse.

Uma estratégia de controle foi criada e é dividida entre vários setores. Foram separados nove grupos de apoio na área urbana e outros na zona rural do município. Segundo o coordenador, o objetivo é que as equipes visitem as casas quatro vezes ao ano.

Outros casos

Santa Rita tem um caso de dengue registrado neste ano. Em 2017, foram nove casos de dengue e sete casos de Chikungunya.

A dona de casa Maurisa Aparecida Goulart teve dengue anos atrás. “Foi horrível, os sintomas são péssimos e fiquei bastante debilitada. Só quem teve sabe que é um problema muito grave”, relatou.

A principal medida de prevenção é a eliminação dos criadouros, que são embalagens que podem acumular água.

“O risco é grande, então nos temos que tomar conta do que a gente tem, limpando e fazendo todo o possível para não pegar doença”, disse a aposentada Maria Aparecida Otaviano.

“Orientamos os moradores que já forem reincidentes e fazemos uma notificação. Retornamos durante o mês até termos melhores resultados. Caso ele não faça sua parte, pode ser multado” contou Naca. O valor das multas pode ultrapassar R$ 700.

Informações do G1

Entrevista: Dr. Roberto do Laboratório Centermed

Dr Roberto

Dr. Roberto Dias Conceição Jr. fala sobre o cuidado com medicamentos nesta quinta-feira dia 05 de abril no Rotativa.

Além do cuidado com o armazenamento, não se deve tomar medicamentos receitados a outros, sem uma prévia consulta ao seu médico.

Cuidar para que a medicação não fique em ambientes muitos quentes, expostos ao sol, ou misturados com outros.

A única diferença do medicamento para o veneno é a dose.

Médicos anunciam paralisação na Santa Casa por falta de pagamento, mas dívida é sanada

A crise financeira da Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros fez com que os médicos especialistas anunciassem paralisação do atendimento no hospital. A situação, que começaria à meia noite de sexta (23), acabou não acontecendo.

Isso porque por volta das 14 horas desta quinta-feira, segundo a administração da entidade, o pagamento foi efetuado e os atendimentos normalizados.

A decisão de parar foi tomada pelos profissionais em assembleia geral realizada na quarta-feira (21), na própria Santa Casa. O principal motivo seria, mais uma vez, a falta de pagamento.

Informações do Jornal O Municípiosanta_casa.jpg